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sábado, 15 de junho de 2013

Trecho 1: Um dia comum

          Estava escuro e perturbador. Em volta dos pés de Elizabeth, serpentes dançavam e desfilavam, deixando-a imóvel. O céu era negro e o ar cheirava á rosas. Olhos vermelhos saiam da escuridão criada por enormes pinheiros volumosamente desenvolvidos e, aos poucos, podiam-se ver silhuetas curvilíneas de criaturas grandes e magras. Uma delas, sendo seguida pelas outras, pulou na direção de Elizabeth, demonstrando sua habilidade de salto. Pegou-a pelos braços e...
          A jovem garota de cabelos extremamente pretos e olhos acinzentados acordou, ofegante, com as pontas das unhas cravadas na camisa grossa de lã vermelho. Era a terceira vez que Elizabeth tinha os mesmos pesadelos horríveis, capazes de fazer com que passasse noites em claro. Envolveu suas pernas carinhosamente com os braços, de maneira auto-protetora, e respirou fundo, pegando após uma garrafa de água no criado-mudo e degustando-a com goles ritmados. Olhou de maneira vazia para o ursinho de pelúcia a alguns metros de distância de seu corpo e lançou um sorriso debochado, envergonhada por agir como uma criança.
         Eram 6 da manhã e seu quarto já recebia pequenas oscilações de Sol. Calçou suas pantufas e ergueu-se rigidamente, movendo-se em direção ao pequeno banheiro incluso ao lado de seu guarda-roupa branco com mármore. Já estava mesmo na hora de acordar, pensou, sendo otimista, enquanto jogava água no rosto e se observava no espelho.
         Substituiu a calça de moletom por um jeans claro e alinhou seus cabelos em um rabo de cavalo desgranhado e despreocupado. Desceu as escadas conectadas com o corredor e entrou na cozinha vazia. Havia uma bandeja com pequenos cookies distribuídos, sabor baunilha com chocolate. Na parede, havia uma foto dela com Luis e Marina, ambos irmão de cabelos marrons e olhos esverdeadamente primaveris, que observou enquanto sentava-se em uma cadeira branca com detalhes trançados em aço.
          O telefone tocou logo após o primeiro gole no café morno. Na tela, o número de Andrew piscava alternadamente.
- Oi, Andrew! Está tudo bem?
-Está sim! Liguei para lhe perguntar se você irá mesmo viajar nestas férias. Elas começam semana que vem e queria me despedir caso você fosse.
-Ainda não decidi, estava pensando a respeito.- ela disse, ainda feliz com a gentileza na voz do amigo- Preciso de um tempo para mim mesma. Mais tarde te ligo e aviso, ok? Obrigado por ser preocupar! Tenho que ir agora.
- Ahn, ok!- seu tom era um pouco angustiado- Até mais!
-Espera!- disse, sentindo-se culpada pelo jeito que falou- Passe aqui em casa mais tarde? Estou com saudades!
-Claro, adoraria!- E pode perceber uma alegria emanando pelo aparelho, antes que desligasse.
            Guardou-o no gancho, pegou a xícara na mesa e foi ao jardim. O vento estava soprando firme, empurrando as flores e deixando as pétalas ondularem livremente. O cheiro era doce como algum perfume francês e a música dos pássaros empoleirados nas árvores era revigorante. Elizabeth sentou-se encostada no tronco da árvore oca que tanto amava subir. O sol agora, estava brilhando com mais intensidade. O dia vai ser lindo!,pensou, antes de fincar os dedos na grama macia, apreciando o azul anil clássico do céu de South Sea.